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quarta-feira, 19 de março de 2014

A HISTÓRIA DO LÁPIS

Contos, contos para reflectir, Paulo Coelho - Ser Como Um Rio Que Flui
Imagem da Microsoft editada por: Cris Henriques


Um menino olhava para a avó a escrever uma carta. A certa altura, perguntou:


- Estás a escrever uma história que aconteceu connosco? E, por acaso, é uma história sobre mim?

A avó parou de escrever a carta, sorriu e comentou com o neto:

- Estou a escrever sobre ti, é verdade. No entanto, mais importante do que palavras, é o lápis que estou a usar. Gostava que tu fosses como ele, quando cresceres.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.

- Mas ele é igual a todos os lápis que vi na minha vida!

- Tudo depende do modo como tu olhas para as coisas. Há nele cinco qualidades que, se as conseguires manter, farão de ti uma pessoa sempre em paz com o mundo.

»A primeira qualidade: tu podes fazer grandes coisas, mas nunca te deves esquecer de que existe uma Mão que guia os teus passos. A esta mão nós chamamos Deus, e Ele deve sempre conduzir-te em direcção à Sua vontade.

»A segunda qualidade: de vez em quando, é preciso parar de escrever e usar o afia-lápis. Isso faz com que lápis sofra um bocado, mas deixa-o mais afiado. Portanto, aprende a suportar algumas das dores, porque elas farão de ti uma pessoa melhor.

»A terceira qualidade: o lápis permite sempre usemos uma borracha para apagar aquilo que está errado. Percebe que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente mau, mas importante para nos manter no caminho da justiça.

»A quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou a sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, presta sempre atenção àquilo que acontece dentro de ti.

»Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele deixa sempre uma marca. Da mesma maneira, compreende que tudo o que tu fizeres na vida vai deixar traços, por isso tenta ser consciente de todas as tuas acções.



Autor: Paulo Coelho
Livro: Ser Como Um Rio Que Flui

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O FACTO



Imagem do Google.
 
 

O jornalista francês Frédéric Lenoir pergunta ao sociólogo ateu Jacques Ellul:

─ É possível viver numa sociedade onde se consiga ignorar por completo a ideia da religião?

─ Nós podemos dizer: Se Deus não existe, então não há porque preocupar-se com religião. Entretanto, resta o problema do se. Ninguém pode garantir que Deus existe, mas tampouco nada nos permite afirmar a sua inexistência. Então, a escolha espiritual passa a ser uma aposta. Eu não creio, o abade Pierre crê. Qual a importância desta discussão, se nós dois estamos procurando ajudar a criar um mundo melhor?
 
Paulo Coelho

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