 |
| Imagem da Microsoft editada por Cris Henriques |
3. Jesus não veio destruir a lei,
isto é, a lei de Deus; veio cumpri-la, isto é, desenvolvê-la, dar-lhe o
verdadeiro sentido e adaptá-la ao grau de adiantamento dos homens. Por isso, é
que se nos depara, nessa lei, o princípio dos deveres para com Deus e para com
o próximo, base da sua doutrina. Quanto às leis de Moisés, propriamente ditas,
ele, ao contrário, as modificou profundamente, quer na substância, quer na
forma. Combatendo constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações,
por mais radical reforma não podia fazê-las passar, do que as reduzindo a esta
única prescrição: “Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si
mesmo”, e acrescentando: aí estão a lei toda e os profetas.
Por estas palavras: “O céu e a
Terra não passarão sem que tudo esteja cumprido até o último iota”, quis dizer
Jesus ser necessário que a lei de Deus tivesse cumprimento integral, isto é,
fosse praticada na Terra inteira, em toda a sua pureza, com todas as suas
ampliações e consequências. Efectivamente, de que serviria haver sido
promulgada aquela lei, se ela devesse constituir privilégio de alguns homens,
ou, sequer, de um único povo? Sendo filhos de Deus todos os homens, todos, sem
distinção nenhuma, são objecto da mesma solicitude.